A história da Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida, localizada no município de Cromínia – Goiás, está diretamente ligada ao processo de migração forçada de famílias negras para a região na década de 1930 .
Naquele período, grandes fazendeiros se instalaram na região conhecida como Planura Verde, então pertencente ao município de Santa Cruz de Goiás. Com o objetivo de expandir a pecuária e a agricultura, passaram a buscar mão de obra negra em diversas regiões do Brasil, especialmente no Triângulo Mineiro.
A promessa era de terra fértil, oportunidade e progresso. A realidade, no entanto, revelou-se marcada por exploração, trabalho exaustivo e condições análogas à escravidão.
Famílias como as de Pedro Carreiro, José Benedito, José Cândido, Olímpio, Dona Helena Moura, Zico Pé de Mulata, Maria de Lourdes, Altamiro, Antônio Bueno, João Crioulo, entre outras, foram fundamentais na formação da base social da comunidade.
Os trabalhadores recebiam mantimentos como forma de pagamento, criando um ciclo de endividamento que os mantinha presos às fazendas. Quando já não eram considerados produtivos, eram expulsos das terras sem qualquer garantia de sustento.
Foi nesse contexto de exclusão que as famílias começaram a construir moradias simples ao redor das propriedades, formando o povoado que mais tarde se tornaria Cromínia.
Mesmo após décadas, os desafios permaneceram: ausência de acesso à terra, baixos salários, dificuldades educacionais e acesso limitado à saúde.
Contudo, a história da comunidade não é apenas marcada por sofrimento — é marcada, sobretudo, por organização e resistência.
Ao longo dos anos, as famílias negras se uniram para preservar sua cultura, sua fé, suas tradições e sua identidade quilombola. Essa união culminou, em 1993, na formalização da Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida, consolidando uma organização coletiva voltada à defesa de direitos e à promoção do desenvolvimento social.
Hoje, composta por mais de 150 famílias, a comunidade atua nas áreas de:
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