A história das Mulheres das Peneiras nasce junto com a própria origem da comunidade quilombola, ainda na década de 1930, quando os primeiros negros chegaram à região de Cromínia em busca de sobrevivência.
Naquele tempo, as mulheres desempenhavam um papel essencial na sustentação das famílias. Trabalhavam nas roças em condições difíceis, muitas vezes em troca de alimentos como arroz e feijão, garantindo o sustento dos filhos, dos maridos e de toda a casa. Era nesse contexto que a peneira se tornava instrumento fundamental do cotidiano: utilizada para limpar o arroz, o feijão e outros grãos, ela simbolizava o trabalho, o cuidado e a resistência.
Foi assim que, ainda sem nome formal, surgia o primeiro círculo de mulheres, unidas pelo trabalho, pela necessidade e pela solidariedade.
“Desde o início, tudo era com a peneira. Ela é raiz, faz parte da nossa tradição.”
Além das peneiras, também eram utilizadas cestas de taboca, semelhantes a elas, reforçando ainda mais o vínculo com o trabalho manual e a cultura ancestral. As apresentações aconteciam nas missas, muitas vezes acompanhadas por músicas, coral e a participação da comunidade, incluindo figuras importantes como músicos e apoiadores locais.
Em 2007, a Pastoral do Negro passa a se constituir oficialmente como Comunidade Quilombola Nossa Senhora Aparecida. A partir desse momento, a organização comunitária se fortalece e as mulheres passam a ocupar ainda mais espaços de liderança. É nesse contexto que surge, de forma mais estruturada, o Grupo das Mulheres das Peneiras, que transforma um símbolo do cotidiano em expressão cultural. A dança da peneira, embora recente como apresentação organizada, carrega uma tradição muito mais antiga, pois a peneira sempre esteve presente na vida e nas práticas da comunidade.
As mulheres passam então a atuar não apenas na cultura, mas também na geração de renda e no fortalecimento da autonomia feminina. Desenvolvem atividades como:
Produção de doces, Confecção de artesanato, Agricultura familiar, Organização comunitária e Debates sobre políticas públicas para mulheres.
Atualmente, o grupo segue ativo, reunindo-se no Centro de Referência Dona Nair, onde realizam ensaios, produções, encontros e ações formativas para as novas gerações. As Mulheres das Peneiras são, portanto, mais do que um grupo cultural. São símbolo de resistência, fé, trabalho e continuidade. Representam a força das mulheres quilombolas que, desde o passado até os dias de hoje, sustentam, organizam e mantêm viva a história da comunidade.